As reformas metrológicas foram objeto de legislação Medidas de líquidos de D. Sebastião Medidas de secos de diferentes épocas As especiarias que chegavam por mar eram pesadas na Casa da Índia e vendidas pelos mercadores Pesos de diferentes épocas e materiais
bandeira britânica

A reforma de D. João VI

No início do séc. XIX, os sistemas de pesos e medidas em Portugal eram, basicamente, os que tinham resultado da reforma que D. Manuel efectuara há mais de 300 anos, com as actualizações de D. Sebastião.

Em 1812 foi nomeada uma Comissão para o Exame dos Forais e Melhoramentos da Agricultura, a qual recomendou a reforma do sistema de pesos e medidas. Assim, ordenou o governo que, em colaboração com a Academia Real das Ciências, «formassem um plano para a igualdade dos pesos e medidas próprio dos grandes conhecimentos e luzes do século, debaixo de um sistema geral com base sólida e permanente».

Deste trabalho resultou um relatório apresentado ao príncipe regente D. João (futuro rei D. João VI), que recomendou a utilização de um sistema baseado nas medidas do novo sistema métrico francês (cuja unidade fundamental era o mètre), mas com terminologia portuguesa. O novo sistema abrangia as medidas lineares, de capacidade e de peso, com relações de equivalência entre as diversas unidades de base baseadas no elemento água.

mão-travessa: unidade principal das medidas de comprimentoAssim, a unidade fundamental era a mão-travessa, que correspondia a 1/10 do mètre francês; a mão cúbica (correspondente a um "litro") designava-se por canada (antiga medida de volumes de líquidos), e uma canada de água destilada pesaria uma libra (um kilograma).

Em 20 de dezembro de 1814 foi decidido mandar executar 300 conjuntos dos novos padrões de pesos e medidas na Junta da Fazenda do Arsenal do Exército, de acordo com os protótipos vindos de França, para serem distribuídos pelo império português.

Em 1820 foi remetida uma portaria à Real Junta da Directoria dos Estudos, ordenando que os mestres (professores) fizessem os seus alunos aprender ("decorar") um folheto que divulgava o novo sistema, intitulado Breve exposição do sistema métrico decimal a-fim-de poderem os povos ter alcançado suficiente notícia dêste sistema antes dêle se começar a pôr em prática.

As guerras liberais vieram atrasar a divulgação e promoção do novo sistema, chegando a ser propostos sistemas alternativos. Só em 1843 o deputado João Baptista da Silva Lopes levantou o assunto na Câmara dos Deputados, levando a que fosse nomeada uma comissão que se veio a pronunciar pelo sistema métrico decimal. No entanto, as discussões na Câmara dos Deputados e na Câmara dos Pares não levaram a uma decisão final e só em 13 de dezembro de 1852, no reinado de D. Maria II, se publicou o decreto que mandou adoptar o sistema métrico decimal, com a terminologia original, estabelecendo um prazo de 10 anos para a sua plena concretização.


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